quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Linguado no Vapor com Molho de Manjericão



Esta receita é mais simples do que a roupa dos santos, beatos e outros que se desencantaram com o mundo e esperam o céu.  Por graça de  Deus sou ateu! Acredito somente na amizade, nos amigos e nos animais, principalmente nos meus gatos Alonso e Mafalda e outros que já tive. Ah! acredito também num bom azeite de oliva, nas comidas em geral, no frio e no calor. Coisas palpáveis e mundanas. Para o resto não tenho ingenuidade nem paciência suficientes.

O Peixe:

Postas finas de linguado - tempere com sal e pimenta
Azeite de oliva

Na  panela  de vapor  coloque as postas do linguado temperadas e regue com  um pouco de azeite. O peixe cozinha muito rápido, no máximo 5 minutos de fervura. Cuidado para que ele não desmanche. Antes de tirar da panela deixe ele esfriar um pouco que quebra menos.

O Molho:

Um punhado de salsinha e manjericão, picado bem fino.
1 colher  de café de mostarda Dijon ou mostarda comum
azeite de oliva extra virgem
sal a gosto

Misture tudo e mexa até homogeneizar.

Retire os filés da panela e espalhe num prato. Sirva o molho a parte para que cada um se sirva.

 Um outro molho para este peixe:  casca de limão ralada, sal e azeite de oliva.

Esta receita é super leve e super fácil, você em dez minutos tem uma refeição deliciosa, nutritiva e muito simples. Eu servi hoje com repolho cozido no micro ondas. Já vou dizer como faz:

O repolho

Corte o repolho em gomos, ajeite num recipiente que possa ir ao micro-ondas, espalhe um pouco de sal e pimenta do reino moída e pedacinhos de manteiga. Ponha um pouquinho de água, tampe e cozinhe por alguns minutos, até o repolho ficar no ponto. Se você não tiver micro-ondas, cozinhe os gomos de repolho no vapor e tempere depois de cozido. Neste caso dispense a manteiga. 
Taí, cozinhar não é difícil. Para acompanhar sirva também pão, de preferência integral. Esta comidinha simples com um vinho fica um jantar muito chique, barato e saboroso. 


sábado, 24 de setembro de 2011

Torta de Doce de Leite e Banana da Terra


Esta receita é uma adaptação de uma torta que está fazendo muito sucesso em Porto Alegre. Comi e gostei muito, mas achei que poderia modificá-la. Foi na casa da Theresa assim mesmo com Th, coisa pra poucas Teresas. A receita que comemos tem banana crua e suspiro cru. Acho que minha adaptação ficou outra coisa, e confesso, gostei mais. Combinamos que iríamos fazer essas modificações. Pena que o André não estava aqui para provar. Ele adora esta torta!

 Massa para uma torta pequena:

1 xícara e meia de farinha
1 ovo
2/3 de xícara de açúcar
Margarina ou manteiga até dar ponto
1 xícara de cafezinho de farinha de castanha do Pará (opcional. Para fazer a farinha moa finamente as castanhas no liquidificador)
2 Colheres de café de fermento Royal.

Coloque a farinha numa tigela, acrescente o açúcar, a farinha de castanha, o fermento misture bem com uma colher. Junte  e ovo. Misture tudo com mão. Vá juntando a manteiga ou margarina até a massa ficar homogênea. Sove bem com as mãos. Faça uma bola, coloque no centro de uma forma anti-aderente, e espalhe pela forma de modo a forrar também as laterais da forma. Aconselho usar papel manteiga no fundo da forma. Bote para assar no forno a 180/190 graus. Quando  a massa estiver crescida fure com um grafo no fundo para que ela não cresca muito. Esta massa (sem a farinha de castanha) a gente usa aqui em casa para fazer várias tortas doces, só muda a cobertura. É, portanto, uma massa básica para tortas.

Para a Cobertura

Doce de Leite
Banana da terra cozida no micro ondas ou no vapor (cozinhe a banana com casca e não deixe derreter de tanto cozinhar). Só tire a casca quando a banana estiver fria. Corte a banana em rodelas.
2 Claras de ovo em ponto de suspiro ou merengue
6 colheres de sopa de açúcar   ( pra quem gosta de suspiro, três colheres de açúcar para cada clara de ovo é uma proporção que não tem erro).

Bata as claras de ovo, primeiro sem o açúcar. Quando elas estiverem firmes junte o açúcar e bata novamente até ficarem bem firmes. (Se você pegar um pouco da clara batida  com a colher e virar a clara para baixo e ela não cair é porque está no ponto).

Monte a Torta

Passe uma  boa camada de doce de leite sobre a torta. Cubra com as rodelas de banana da terra cozidas. Cubra a banana com as claras batidas. Vá fazendo montinhos de clara usando duas colheres pequenas. Tudo pronto. Ligue o broiler do forno e ponha para assar. Tenha muito cuidado, porque broiler é uma desgraça, qualquer descuido fica tudo queimado. Não arrede o pé de perto do forno. Pode usar também maçarico (coisa chique e cara) para dourar a clara. Se seu forno não tiver broiler não tem problema. Aí tem um macete: quando você estiver assando a massa tire-a do forno quando você perceber que ela está assada mas ainda não tostou. Ela vai ficar tostada na hora que você colocar pra assar a cobertura. Ok? 

Não gosto de postar receita de doce, sempre tem trocentas etapas. Na hora que a gente lê parece que vai se atrapalhar. Não sei se ficou claro, mas vai por mim. Esta receita é fácil, apesar dos "para a massa," "para a cobertura" e do "monte a torta." Mas esta é fácil, sem drama.



domingo, 18 de setembro de 2011

Entrevero

                                         Foto 1 - Começando a ferver. O verde é pimenta de cheiro

Entrevero no dialeto gaúcho é mistura, confusão, bagunça, briga. Pode ser de gente ou mesmo de coisa. Não sei como os dicionários registram isto, mas na linguagem comum do dia-dia é isto e tudo mais que lembre coisa desarrumada. Esta comida aprendi coma Theresa, que muito mais que minha prima é minha irmã do coração. Temos uma trajetória de irmãos, um carinho de irmãos e principalmente vivemos como irmãos. Uma das idas pra Porto Alegre ela fez pra mim. bebemos e conversamos até altas horas.

Carnes variadas (carne de boi, Linguiça, Costelinha de porco. Se quiser incrementar um linguiça calabresa (em Porto Alegre a Linguiça do Bola é imbatível) e alguma carne defumada vão muito bem etc...etc...)
Legumes variados (cebola, abóbora, cenoura, batata doce, batata inglesa, milho em rodelas etc...etc..)
Óleo
Sal
Alho
Louro
Pimenta em grão
Colarau
Um maço de cheiro verde 
Corte as carnes em pedaços grandes e ponha pra fitar com um pouco de óleo. Prepare  os legumes em pedaços grandes (abóbora, cenoura, batata doce, cebola, batata inglesa, pimentão vermelho, mandioca e o que mais quiser). Junte os legumes e àgua à carne - em primeiro lugar a mandioca, porque demora mais para cozinhar- depois o restante dos legumes. Acrescente os demais temperos, um pouco de  água e deixe cozinhar. mexa de vez e quando,  prove o sal e vá acrescentando água quente na medida que água for secando. Depois de cozido o caldo deve estar grosso e não deve cobrir os legumes. É um ensopado, não uma sopa
Esta comida é uma variação do cozido que se encontra em várias cozinhas regionais da America e da Europa. E o bom é que não dá trabalho, suja uma só panela. Na Argentina tem uma comida muito parecida que se chama carbonada, feita com legumes  (dos quais a abóbora é o carro chefe) e carne de boi. Costuma-se servir com arroz. Pra a acompanhar um bom vinho ou uma boa cerveja.
                                           Foto 2  - Entrevero cozido  

sábado, 17 de setembro de 2011

Queijo Brie com Geléia de Mexirica


                                                                           Foto: Alexandro D. Trindade




No XV Congresso da SBS aqui em Curitiba, em julho, fizemos um super coquetel, preparado pela Maria Angélica e a Adriana da Tomate Cereja Gastronomia. Foi muito bonito e delicioso. Conversando com Angélica e Adriana trocamos receitas: Macarrão com Limão Siciliano (que já postei aqui) e  Queijo Brie com Geléia de Mexirica. É uma entrada fantástica e mais simples impossível. Outro dia fiz um jantar em casa para os amigos do coração e servi este queijo como uma  coisinhas pra comer antes do jantar. Angélica, foi um sucesso! 
1 peça de queijo brie
Geléia de Mexirica (aquela com casquinha)
Lascas de amêndoa. 
Cubra o queijo com uma camada da  geléia
Espalhe lascas de amêndoa por cima da geléia
Leve ao micro ondas para dar ums susto no queijo (não deixe o quejo derreter)
Mais fácil estraga, não é mesmo?

Ontem levei geléia para a Sandra e o Alexandro que queriam fazer este queijo. Pois bem, eles fizeram e me mandaram a foto. Com um foto tão linda como esta como não postar esta receita? Portanto, a foto é deles. Se quiserem uma hora destas posto a receita da geléia que também é muito fácil e da de dez nas que a gente compra no mercado! Sandra e Alexandro, obrigado por acharem que eu sei cozinhar e pelo belíssimo presente que me deram (agora não terei mais dificuldade para abrir vinho, só não poderei estar com o cotovelo doendo)!

  

domingo, 21 de agosto de 2011

Prova de Salame




Me criei numa cidade muito pequena, no interior do Rio Grande dos Sul numa época em que se produzia em casa a maior parte das coisas que se comia: legumes, frutas, grãos, folhas, frango e porco. Foi bem antes da mecanização da agricultura e da introdução da cultura da soja. Dia de matar porco era uma festa, não só para as crianças, mas para os adultos também. Quando uma família matava porco distribuía carne para os vizinhos. Era uma forma de retribuição, muitas vezes da carne recebida quando o vizinho havia matado porco, ou então de algum outro presente. Mais tarde fui descobrir que era disto que Mauss falava quando se referia a dádiva e seu circuito: dar, receber, retribuir. A obrigação e a reciprocidade, reforçando o laço social entre vizinhos, na troca de um pedaço de carne. Mas pra mim criança, o mais importante era quando íamos provar a carne do salame, pra saber se estava bem temperada. Meu tio Francisco era sempre o responsável pelo tempero. A prova consistia em embrulhar uma bola de carne em várias camadas de papel de embrulho e jogá-la nas brasas do fogo que derretia a banha. Depois de assada a carne era dividida entre todos que participavam das atividades que envolvia a carneação, como chamávamos. Se o tempero estivesse bom fazia-se o salame. Esta receita é uma releitura desse processo de provar o tempero do salame.

Carne de pernil com um pouco de gordura picada bem fina.
Sal
Alho (pouquíssimo)
Pimenta do reino

Misture tudo muito bem e deixe a carne repousar no tempero pelo menos uma hora. Enquanto isso acenda o fogo da churrasqueira. Quando a churrasqueira estiver quente, faça uma bola com a carne e amasse deixando-a com uma espessura de uns 2 centímetros. Coloque numa grelha de assar peixe (aquelas duplas de modo que a carne possa ser virada sem cair) e ponha a carne para assar. Asse de um lado, e quando estiver dourado vire e asse do outro. Tá pronta sua prova de salame, simples e maravilhosa.
Matar porco mobilizava uma rede de vizinhos e amigos. Uns ajudavam a pelar o porco, outros preparavam a mistura para morcilha e o codeguim; outros limpavam os pés do porco para o feijão. Meu tio cuidava da carne para o salame e para a copa. A criançada curtia isso tudo como se fosse uma festa. Lembro muito bem que em 62, quando o Brasil se classificava para a final da Copa do Mundo no Chile, a carneação foi acompanhada do som do rádio com o jogo e os foguetes  pela vitória. Tinha festa melhor para um menino do interior, para quem o mundo pareceria acabar a 200 metros de casa, depois da ponte do rio?


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Capeletti Com Pedido de Desculpas




Esta receita é meu pedido de desculpas para Sandra e Alexandro, queridos amigos, que insistiram para que fosse almoçar com eles hoje. Acho que fui grosso, não indo. Estou sozinho em casa, porque não aceitei o convite? Enfim, inventei esta mistura agora e dedico pra eles essa comida rápida e fácil. Fiz utilizando o que tinha na geladeira.

Capeletti
Ervilha (fresca ou congelada)
Cogumelo Porto Belo cortado em quatro
Tomate sem pele cortado em cubos pequenos
Azeite de  Oliva 
Folhas de Salvia
Queijo em cubos pequenos
Sal e pimenta do reino

Enquanto  a água com  esquenta corte os ingredientes  do molho. Na hora que a água ferver ponha os capeletti para cozinhar. Esquente o azeite numa frigideira, jogue as folhas de salvia, o cogumelo, a ervilha e os tomates picados. Refogue rapidamente até a ervilha estar cozida (vai coincidir com o tempo de cozimento do capeletti). Misture o sal e a pimenta. Escorra o capeletti numa vazilha funda, junto um pouco da água  do cozimento (como fiz pouco, coloquei 2 colheres de sopa). Cubra com o refogado e adicione um pouco de óleo de oliva.  

A combinação fica muito boa. Ervilha, cogumelo e salvia dão um gosto de mato, coisa da terra. Me levaram de volta à minha infância no interior do Rio Grande do Sul, quando colhíamos cogumelos nos gramados da vila, plantávamos ervilha e tomate na horta. Esta comida completou minhas lembranças de hoje, porque pela manhã estava selecionando um texto de Cruz das Almas, do Donald Pierson e me re-encantei com as fotos das pessoas, dos bichos e da vila que estão no livro. Ou terá sido as fotos que me levaram pra essa mistura de coisas simples, mas deliciosas?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mousse de Chocolate e laranja Kin-kan



Esta receita é muito simples, fácil e muito barata. É uma sobremesa que pode ser feita sem muita cerimonia e vai bem no inverno do Sul. Ontem resolvi incrementar uma velha e boa receita de mousse de chocolate com fatias finas de laranja Kin-Kan cristalizadas, que vi no Mercado Municipal aqui em Curitiba. Prá quem nunca foi ao Mercado Municipal de Curitiba recomendo uma visita para sentir os cheiros e as cores do melhor lugar desta cidade. Uma hora dessas vou postar aqui algumas fotos de lá junto com uma receita.

Mousse de Chocolate

Uma barra de chocolate de 170 gramas
Duas Claras de ovo
Quatro Colheres de açúcar
Uma Caixinha de creme de leite
Laranja Kin-kan cristalizada a gosto

Derreta o chocolate em banho-maria e deixe esfriar. Junte o creme de leite e as claras batidas com o açúcar em ponto de neve ou castelos (ou seja, clara muito bem batida como se fosse fazer suspiro). Mexa tudo com cuidado, ponha numa vasilha que possa ir à mesa ou em potes individuais. Deixe umas duas ou três horas na geladeira. Fatie as laranjas e coloque encima da mousse na hora de servir.


Ontem me dei este direito, afinal era dia dos pais. Mas hoje  já entrei nos eixos, senão logo, logo a cintura fica maior que o cumprimento das pernas. Gosto de misturar chocolate com leite e chocolate amargo, meio-a-meio para que não fique muito doce. Esta quantidade dá muito bem para seis pessoas.