quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Bolo de Sorvete com Calda Quente de Chocolate




Esta receita é Iara quem faz e faz maravilhosamente bem. A primeira vez que comemos esse pão-de-ló com sorvete foi numa viagem a Misiones, Argentina, lá pelos inícios de 80. Os meninos eram pequenos e fomos na Brasília 1978, que nos acompanhou durante 14 anos. Fazia o maior sucesso para vergonha dos meninos quando entraram na adolescência e já não se fabricava mais Brasília. E o barulho do motor daquela peste enchendo a cabine, quem teve Brasília sabe do que estou falando. Era um tal de sair de Campinas e ir até o interior do Rio Grande do Sul, viagem para dois dias porque a gente não aguentava o desconforto, o calor e  a impaciência dos meninos. Esta viagem para Misiones foi feita antes de sairmos de Ijuí. A Lígia foi com a gente e foi um divertimento só, aquelas viagens que a gente só faz porque tem trinta anos, hoje não faria nem a pau! Lembro que na volta poderíamos comprar uma peça de queijo cada um, cada adulto, claro. Compramos três queijos enormes, um provolone que mais parecia uma abóbora e outros dois, um parmesão e o terceiro não lembro. Quando chegamos em Ijuí levamos para açougueiro nosso vizinho dividi-los na serra de carne. A parte da Lígia acabou em Salto e a nossa ali em Ijuí mesmo!

Para o Bolo

3 discos de pão-de-ló
200 gramas de amêndoas
1 pote de sorvete de creme
1/2 caixa de creme de leite (dissolver com um pouco de leite para regar o pão-de-ló)


Para a Calda de Chocolate Quente

1 xícara de água
100 ml de caro
3 colheres de sopa de chocolate em pó (melhor é aquele do padre)
6 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sobremesa de vinagre


Pele e torre as amêndoas no forno. Quebre-as com o rolo de abrir massa ou com o martelo de bater carne. Para isto abra um pano de prato sobre a mesa, espalhe as amêndoas e cubra com a parte que sobrou do pano. Bata com o martelo ou passe o rolo. Cuide par não moer as amêndoas.  Forre uma forma de bolo(daqueles que a gente pode abrir) com papel manteiga e espalhe um punhado de amêndoas, sobre estas espalhe uma camada do sorvete. Dissolva o creme de leite com um pouco de leite e espalhe um pouco sobre o pão-de-ló. Coloque o primeiro disco de pão-de-ló sobre o sorvete. Repita tudo outra vez, até acabar os discos de pão-de-ló. Cubra o último disco com soverte e amêndoas. Cubra com papel manteiga e ponha no congelador.  Retire o bolo de sorvete uns minutos antes de servir, desenforme e aproveite.


Calda Quente de Chocolate 

1 e 1/2 xícara de água
100 ml de caro
3 colheres de sopa de chocolate em pó (melhor é aquele do padre)
5 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sobremesa de vinagre

 Junte os ingredientes numa panela e leve ao fogo, mexa para não derramar e deixe engrossar. Na hora de servir e só esquentar. Derrame sobre a fatia de bolo.

Esta receita é muito simples, vc não precisa se bater para fazer o pão-de-ló, qualquer confeitaria vende isso a preço de banana. Esta combinação de pão-de-ló com sorvete de creme e amêndoas sob a forma de bolo é bem clássica, porém vc pode fazer com sorvete de chocolate e calda de frutas vermelhas. Aí depende o seu gosto.
Esta receita é para a Lígia Negri e seus irmãos Valentina e Fúlvio que comeram os queijos da famosa viagem e a Lígia comeu muitas vezes esse sorvete na Argentina e lá em casa!

Vinagrete de Andu


Conheci andu ainda criança no interior do Rio Grande do Sul. Na casa da minha irmã tinha um arbusto que dava uma ervilha que comíamos verde. Chamavam ervilha de árvore. Quando o grão secava virava ingrediente de ração para os porcos. Este era o destino da deliciosa ervilha de árvore que, quando verde, era usada em molhos de macarrão, sopa e c carne picada. A carne picada com molho era a forma mais comum de comer esse grão e na verdade era a mais gostosa. Fui comer andu seco e com este nome, pela primeira vez, depois que conheci a Iara que como boa mineira herdeira da cozinha tradicional da avó paterna e da mãe. Depois disso o andu nunca mais saiu de nossa mesa e aparece muito sob a forma de feijão tropeiro. Quem já comeu este feijão sabe muito bem do que estou falando. Este post traz uma receita de andu preparado como vinagrete, e é ótimo para acompanhar carne assada ou então um peixe frito.

1 xícara de andu seco
Pimentão vermelho
Pimentão amarelo
Cebola
Sal
Pimenta do reino moída na hora
Salsa
Cebolinha
Azeite de oliva
Vinagre 

Cozinhe o andu fora da pressão para poder controlar a consistência. Os grãos devem ficar cozidos, mas inteiros. Deixe esfriar. Pique bem miudinho os pimentões e a cebola. Misture ao andu frio, tempere com sal, azeite, a pimenta e um pouquinho de vinagre (muito pouco mesmo). Misture a salsa e a cebolinha bem picadas e sirva.

Esta receita faz parte da recuperação de comidas tradicionais boas, baratas e muito fácil de serem feitas. Esta riqueza da cozinha brasileira tem andado meio desvalorizada e esquecida. Comemos isto na noite de Natal, acompanhado de um tender e uma farofa de manteiga com cebola. Ficou ótimo!!!   

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Purê de Cará


Um ingrediente bem tradicional da cozinha mineira, o cará, é o centro dessa postagem. É uma receita absolutamente simples e que vai muito bem como acompanhamento para carnes, desde as mais nobres até as mais simples. Outro dia comi esse purê com um peixe (filhote) frito em crosta de castanha do Mukekas, aqui em Curitiba e resolvi postar aqui o purê. Tenho certeza que vocês vão gostar, pelo trabalho que não dá e principalmente pelo sabor delicado.

Para 4 pessoas

2 carás médios
Manteiga
Leite
sal 
1 pitada de pimente do reino moída

Descasque o cará em cozinhe até ficar bem mole. Esmague com garfo ou no liquidificar e vá acrescentado leite. Quando estiver no ponto acrescente manteiga a gosto, 1 pitada de pimenta do reino e prove o sal. Sirva quente.  Você pode utilizar a água do cozimento no lugar do leite. 

Fácil, não? portanto não diga que não vai fazer porque dá muito trabalho. Imagine este  purê com um pedaço de carne assada ou então com um molho. Só mesmo provando.
  

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Rabada com Maxixe e Mini-chuchu



Ando interessado em recuperar alguns ingredientes que não são considerados nobres da cozinha, costelas,  joelho de porco, rabo de boi, andu, cará, chuchu, maxixe. Coisas de pobre, mas que de fato dizem muito de onde viemos, quem somos. Falam em certa medida de uma identidade mesclada que tem como base origens africanas e européias. Esses ingredientes às vezes são desprestigiados numa tentativa inconsciente de negar a diversidade étnica e cultural que somos, e mais ainda, reduzir tudo ao mundo falso de uma identidade postiça forjada nas novelas da Globo de péssimo gosto, que lutam por mostrar um país homogêneo que se reduzido  a uma classe média alta que não representa nem  um tiquinho do Rio de Janeiro, mas faz de conta que este tiquinho está em toda parte. Longe, muito longe do Sertão de Rosa. Pois bem, essa rabada tá mais pra sertão do que areia. 

Para  4 pessoas

Rabo de boi
2 Dentes de alho
2 Cebolas médias
Fatias de Pimentão Vermelho e Amarelo para
Folhas de Loro
Pimenta do Reino em Grão
Colorau
Cúrcuma
Maxixes inteiros
Mini-Chuchus inteiros
Ramos de Salsa e cebolinha
Sal

Cozinhe o rabo de boi na panela de pressão com água, junte alguns grão de pimenta, um dente de alho e uma cebola inteira. Conte uns 20 minutos depois que começar a ferver e deixe esfriar. Vc pode fazer isto um dia antes e guardá-lo no líquido do cozimento na geladeira. É importante guardar o líquido para usar no molho.  Este procedimento vai solidificar a gordura sobre o líquido e permitira que vc retire facilmente o excesso.  Feito isto refogue a carne com um pouco de óleo, junte a cebola restante, o dente de alho e as fatias de pimentão picadas e  continue refogando até a a cebola ficar transparente. Junte uma colher de chá de cúrcuma e uma de colorau e salgue.  Acrescente os maxixes e os mini-chuchus, junte cubra com água. Junte a folha o louro, a pimenta do reino, e os ramos de salsa e cebolinha e deixe reduzir até o molho engrossar e os legumes estarem cozidos.  Uma dica: não precisa descascar os mini-chuchus, assim eles ficam inteiros. Raspe os maxixes em vez de descascá-los. Prove o sal e sirva. Para acompanhar faça uma polenta ou angu cozido, arroz ou um purê de cará. Isto e mais uma salada de folhas tá pronta a festa.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Creme de Tapioca


Este creme de tapioca é uma sobremesa das mais fáceis que conheço. Não exige grandes preparações nem faz aquela bagunça na cozinha que a gente chega a desanimar. Nada de mil panelas, batedeira, formas, liquidificador etc.Uma boa tigela e uma colher dão conta do recado. Outra coisa não tem as famosas e desanimadoras fases do reserve. Bata...e reserve....misture e reserve...nada disso! É só misturar e mexer.

Para 5 pessoas

1 Xícara de Tapioca de boa qualidade
750 ml de leite (da quase três xícaras)
1/4 de lata de leite condensado
200ml de leite de coco
Coco ralado 
Açúcar a gosto

Esquente o leite e junte o leite de coco, o leite condensado e o açúcar. Misture muito bem. Junte a tapioca e coco ralado. Misture bem. Deixe hidratar, mexendo uma vez ou outra para a tapioca não embolar. Estará hidratado quando a tapioca estiver macia. Ponha pra gelar. Se vc perceber que o creme ficou mais firme do que você gostaria acrescente um pouco de leite frio e mexa.  
Se vc quiser dar um tchan, coloque em potes individuais antes de colocar para gelar. Use como cobertura leite condensado ou geléia de frutas vermelhas. Aí vai a receita do molho de frutas vermelhas

Molho de Frutas Vermelhas

100 gramas ou mais de frutas vermelhas, tipo framboesa ou amora (ou mesmo morango)
 1/2 Xícara de acúcar
Água (se precisar)

Junte numa panela o açúcar e as frutas de uma amassada e coloque pra ferver. Quando a calda estiver grossa, como uma geléia rala o molho estará pronto.

Esta receita é ótima opção para sobremesa nestes dias mais quentes e principalmente agora no final do ano que a gente se entope de comida pesada. Esta receita a Simone me disse que vai fazer para a ceia de Natal. Dei pra ela as amoras que colhi do pé que tem aqui no quintal, cuja muda quem me deu foi Dona Xica, mãe da Tarcisa, do alto de sua majestade de quase 90 anos. Colhi quase três quilos de amora, que congelei sem deixar que grudassem uma na outra. Teremos amora para o ano inteiro.
Esta receita não poderia deixar de ser dedicada para Dona Xica, Tarcisa e Simone.

sábado, 30 de novembro de 2013

Frango com Quiabo



Ando tão atarefado nessas últimas semanas com aulas no doutorado, tese de orientando para revisar e todas as tarefas de final de semestre que não tenho tido tempo para postar nada aqui. Peço desculpas aos que consultam meu blog. 
Este ano os quiabos estão excelentes, bem como os maxixes e os jilós. É hora de aproveitar um quiabo para fazer com moranga e milho verde, assim bem simples, bem caipira, mas delicioso. Com camarão, que aqui tá o olho da cara, meu salário quase não alcança como diz o povo por aí. Logo, logo vamos comprar camarão a prestação ou "em vezes", como se diz no dialeto curitibano quando se financia alguma coisa. Parcelado no boleto, vai ser mais barato que no cartão, como fazem as Casas Bahia. Um quilo de camarão dá 50 milhas no cartão, no boleto não da milha, mas é mais barato. Não considero que o frango com quiabo seja para substiuri o quiabo com camarão. É um prato absolutamente soberbo, uma das melhores comidas da nossa cozinha, sem frescura e sem sombra de dúvida.

Para o Frango

1 frango caipira médio
1/2 de quiabo ou mais
1 cebola grande
1 tira de pimentão vermelho, sem pele 
1 tira de pimentão vermelho, sem pele
2 dentes de alho picados
2 folhas de louro
Pimenta do reino a gosto
Sal a gosto
Salsa  e cebolinha
Curcuma
Colorau


Para o Caldo:

Pés de frango, pescoço, miúdos, pontas de asas e se quiser o osso do peito
Louro
cebola
Alho
Sal 
Pimenta do reino em grão
Salsa e cebolinha em ramos
Água

Comece cortando o frango. Separe as pontas das asas, o fígado, a moela, os pés e o pescoço. Tempere com o sal e a pimenta e deixe pegar o tempero. No mínimo uma hora.
Enquanto isto faça o caldo. Numa panela grande junte os as asas, o fígado, a moela, o pescoço e os pés do frango (se vc quiser desosse o peito e coloque o osso também), uma folha de louro, uma cebola média inteira,  1 dente de alho, pimenta do reino em grão, sal, ramos  de cebolinha e de salsa e uma cenoura picada. Se tiver pode juntar também um talo de salsão. Cubra de água e ponha pra ferver, esqueça esse caldo pelo menos uma hora e meia no fogo. Este caldo, vai substituir a água na hora do cozimento do frango.
Esquente  um pouco de óleo e doure os pedaços de frango. Descarte o excesso de gordura e junte a cebola,  o pimentão  e o alho picados, as folhas de louro e vá acrescentado o caldo aos poucos. Enquanto o frango cozinha, lave o quiabos e seque-os, corte em rodelas. Refogue o quaibo num pouco de gordura bem quente para que não fique babento. Se acaso soltar baba, junte um pouco de vinagre, pouco para não deixar o frango ácido. Quando o frango estiver quase pronto junte o quiabo, um pouco de curcuma e de colorau e a pimenta do reino moída.   Deixe cozinhar alguns minutos. Prove o sal, pique a salsa e a cebolinha espalhe por cima  e sirva quente. Para acompanhar do jeito mineiro, arroz branco, feijão e angu. Você pode também servir com arroz branco ou polenta mole.  

Quando falei pra Iara que ia postar essa receita ela falou que era uma coisa tão óbvia, que todo mundo faz. Todo mundo? Talvez em Minas... Depois na sequencia vou postar uma feijoada do norte  de Minas e por fim um ora pro nobis com carne passadinha. Vou dedicar essa receita para Lourenço Chacon, que gosta muito da Gerais e com certeza de frango com quiabo. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Joelho de Porco Com Batata e Aspargo


Pra quem se criou e vice no sul do Brasil, sabe que joelho de porco é uma comida muito comum entre os descendentes de alemão e de italiano. Os alemães comem com batata cozida e os italianos com polenta. O importante do prato é o tempero da carne. porque a polenta, assim como a batata são acompanhamentos muito neutros, cozidos na água e sal e só.
Na minha casa, na infância, comia-se joelho de porco com polenta quando se matava porco, em geral no segundo dia após a matança do bicho. No primeiro  dia o nobre era comer espinhaço com mandioca cozida ou polenta.  O espinhaço em gerla era assado na brasa que aquecia o tacho para derreter o toucinho e fazer a banha, que era usada regularmente na cozinha. Quem viu a Árvore dos Tamancos, de Olmiro Olmi, sabe do que estou falando quando me refiro a matança do porco. Era uma pequena festa familiar em dia de semana, e a certeza de que teríamos salame para alguns meses e também codeguin (cuja base era apele do porco.

Ingredientes:

Um joelho de porco (atualmente os supermercados vendem em bandejas chamando de carcaça suína, pouco vendem o joelho inteiro)
Batata inglesa descascada e cortada em pedaços grandes
Aspargo Fresco
Alho ( dente amassado para temperar a carne) e 2 dentes inteiros
Sal
Pimenta do reino moída
Pimenta do reino em grão
Salsa
Cebolinha
Louro e o que mais tiver de ervas frescas

Tempere o joelho com o sal, alho e a pimenta do reino em grão pelo menos uma hora antes de por pra cozinha. Numa panela acrescente um pouco de oleo e dê uma dourada na carne. Descarte o excesso de gordura e junte o alho inteiro, a salsa, a cebolinha e o louro e as demais folhas que tiver: alecrim, sálvia e orégano, tomilho, todos em ramos porque depois você vai retirar da panela. Junte água até cobrir a carne e deixe ferver. Quando começar a secar, cubra novamente com água e deixe ferver. Quando a carne estiver macia, retire as folhas dos temperos e deixe ela ir fritando com pouca água e a gordura que soltou. Vá fazendo isto com certa paciência até que a carne esteja dourada. Junte as batatas e vá fritando, sempre na gordura e sempre cuidando para não queimar. Para tanto vá colocando água aos poucos. Quando as batatas estiverem quase prontas junte o aspargo em pedaços. O aspargo cozinha rápido, um pouco mais que cinco minutos e deu. Despeje a carne num prato que possa ir à mesa e sirva bem quente acompanhado da mistura de aspargos e batatas.

Esta receita é pra Lígia Negri, que como eu adora essas carnes mais simples, cozidas com calma.Aqui em Curitiba o Bar do Alemão tem no cardápio joelho de porco, só que não serve com aspargo, nem com batata cozida no molho da carne. É bom, mas garanto que este é muito melhor. O que ambos tem em comum é a simplicidade e a facilidade de execução.
Um bom vinho ou uma boa cerveja e Prost! Tá pronto um almoço, pois enquanyto a carne cozinha com bastante água vc pode continuar fazendo o que tem pra fazer.